Espera em Deus

Autor não identiificado
Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu. Salmos 42.11 (ARA)

Eu não consigo ler esse salmo como numa perspectiva de um passado em que o extraordinário, nele narrado, se estabeleceu como algo totalmente desvinculado da realidade do salmista, da nossa realidade brasileira e, por que não dizer, da realidade mundial? Não consigo também enxergar o salmista como um ser super-abençoado ou como alguém que recebe de Deus dádivas exclusivas, as quais são negadas aos seus contemporâneos. Da mesma forma, não consigo fazer essa leitura, senão como um fato plausível no limiar da sua realização. Diante do exposto, alguém poderia muito bem me perguntar, tal como perguntaram ao salmista: Diante da vida que estamos vivendo, o teu Deus, onde está?

De fato, todos os elementos negativos destacados na oração do salmista se fazem presente hoje em igual ou maior intensidade. Talvez a palavra não existisse na sua época, contudo, estamos sujeitos a verdadeiros tsunamis que têm nos arrastando de um lado para o outro, sem que nos seja possível tomar pé em qualquer aspecto da vida por nós vivida. Seja no aspecto financeiro, moral, de conduta, nem agora e nem em futuro vislumbrável. Os inimigos da nossa paz, da nossa segurança e da nossa existência têm se multiplicado e se superado nas maneiras com que se esmagam os nossos ossos, e com eles a nossa esperança. Você ainda está me perguntando o porquê disso tudo.

Baseado na sua própria experiência o salmista vem do passado distante nos desafiar com uma simples e sutil proposta: Espera em Deus! 

Eu sei que as dúvidas agora se fundiriam em uma única afirmação: Isso não é nem uma coisa simples demais. Já passou de ser simplista. Como podemos esperar em Deus se no turbilhão não conseguimos sequer colocar a cabeça para fora para respirar? Como podemos esperar em Deus se o futuro que se nos apresenta é ainda mais tenebroso? Como podemos esperar em Deus se, mesmo investindo com todas as nossas forças contra a situação vigente, não conseguimos qualquer resultado minimamente expressivo? No contexto em que a liderança e política e judiciária tem se esmerado em se fazer corporativa, incapaz e escandalosamente corrupta, de onde esperar que Deus retire recursos para executar a sua ação redentora?

O interessante do salmo é que o salmista não se vê envolto por uma utopia, faz referência a algo que um dia ouvira falar não sabe de quem ou cita um fato semelhante que aconteceu não sabe onde. Ele também não procura apresentar para Deus uma solução viável, bem elaborada pela sua experiência em sobreviver aos infortúnios passados. Ele não sai batendo panelas pelas ruas ou se junta a grupos de manifestantes inflamados e indignados. Ele apenas declara antecipadamente o resultado final de tudo, por mais improvável que possa parecer: Pois eu ainda o louvarei

O que é isso senão a antevisão de uma vitória inconteste? O que é isso senão a certeza de um resultado inimaginavelmente espetacular? O que é isso senão a declaração definitiva da confiança em um Deus que tem, ainda que as circunstâncias de todas as formas se esmerem em negar, o controle total do mundo em suas mãos?

Eu não sei como um cristão pode ler esse salmo e não ter outra certeza, senão essa: Espera em Deus, pois ainda o louvarei.

 
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